A Marítima

Terça-feira, Dezembro 14, 2004

 

Singrando


Saudade não se traduz em ficar triste pela falta de pessoas importantes. Minha saudade não é triste, mas me faz sangrar.

Enquanto singro pelo Pacífico, meus outros me esperam. Do outro lado. E quantos lados tem a minha verdade. Meus outros me chamam. Às vezes eu os escuto e os sinto.

Meu coração abriga muita saudade. Calada. Uma saudade que espreita, que se avoluma aqui dentro quando ouço Cesaria Évora. Uma saudade de coisas, de cheiros, de gente. A saudade da chuva. Do verde.

O dia já se escoa pelas frestas da minha janela. Tenho a luz acesa, os pés frios. O coração batendo forte, lembrando das chegadas. Da coragem da partida. Do choro do meu outro que gostaria que eu ficasse. Mais uma vez, sem perdão, eu parti.

Saudade. Não quero envelhecer aqui ao longe. Não quero deixar de ser reconhecida quando eu voltar. Quero os dias, as noites intensas do meridional, do pararelo exato. Eu quero estar cheia. Cheia dos meus outros.

Archives

11/01/2002 - 12/01/2002   01/01/2003 - 02/01/2003   02/01/2003 - 03/01/2003   08/01/2003 - 09/01/2003   09/01/2003 - 10/01/2003   11/01/2003 - 12/01/2003   03/01/2004 - 04/01/2004   11/01/2004 - 12/01/2004   12/01/2004 - 01/01/2005   02/01/2005 - 03/01/2005   03/01/2005 - 04/01/2005   04/01/2005 - 05/01/2005   06/01/2005 - 07/01/2005   07/01/2005 - 08/01/2005   08/01/2005 - 09/01/2005   09/01/2005 - 10/01/2005   10/01/2005 - 11/01/2005   12/01/2005 - 01/01/2006   07/01/2006 - 08/01/2006  

This page is powered by Blogger. Isn't yours?