A Marítima

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

 
Quero escrever teu gosto, tua leveza
Esse teu olhar verde imenso
que pisca para mim tão grande

Não sei mudar as palavras

aumentar meu léxico, nem ser exata
estagnei-me em uma matemática imprecisa
de um português velho, adormecido

definição matemática: nós dois é que contamos
talvez por mil.

quero mudar a música da poesia,
escrever do avesso
te reinventar, te sugar
te livrando dos medos,
sendo teu porto-alegre

quero te desfazer e te rever menino
de cabelos lisos da cor do sol

quero te ver ontem e mais hoje
amanhã te encontrar para tomar um porto

mergulho. nado pelo golfo do méxico

passadas largas, pensamentos vadios
A água me empurra e o sol queima minhas costas

Sim estou descrevendo aquele dia em que
o sabor do sal era tão intenso
que de mim vertiam gotas de sangue e
meus lábios murmuravam as letras de teu nome

teu nome: sim por um momento
eu rodopiei pela casa cantando
uma música flamenca - atando nós entre nós dois,
te acorrentando a mim - te adicionando a minha pele,
e aos meus poros.

Ouço o barulho das águas e dos ventos
comungo com a natureza, a minha e a tua.

Olhar para aquela água é como ver teus olhos
banhados de luz e imensidão

perco o controle, misturo poemas, esqueço o frio
já não sei o que digo
e em que ano te conheci

 
Me deito à espera de gotas de chuva
Sorrio à espreita de um novo som,
de uma palavra amiga
Carrego comigo incertezas e devaneios

represo um carrilhão de sentimentos
neste corpo tão pequeno.

Lembro do primeiro poema, da porta fechada
O vazio
Lembro do céu escuro e profundo
como o castanho daqueles olhos estranhos

me olho no espelho, não me reconheço.
Sim estou usando o velho cliché
Arrepios, um frio descomunal
As mãos na neve...

Tombo na neve fofa e branca
sem marcas
Os olhos aguardam a chuva,
mas o que vejo são pequenas
lantejoulas refletindo raios de sol
perto do rio mortificado de frio

Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005

 

Soy peregrina

Piedra y camino
Atahualpa Yupanqui)


Del cerro vengo bajando
Camino y piedra
Traigo enredada en el alma, viday
Una tristeza.

Me acusas de no quererte
No digas eso
Tal vez no comprendas nunca, viday
Porque me alejo.

Es mi destino
Piedra y camino
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino.

Por más que la dicha busco,
Vivo penando
Y cuando debo quedarme, viday
Me voy andando.

A veces soy como el río
Llego cantando
Y sin que nadie lo sepa, viday
Me voy llorando.

Es mi destino,
Piedra y camino
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino.


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