Quero escrever teu gosto, tua leveza
Esse teu olhar verde imenso
que pisca para mim tão grande
Não sei mudar as palavras
aumentar meu léxico, nem ser exata
estagnei-me em uma matemática imprecisa
de um português velho, adormecido
definição matemática: nós dois é que contamos
talvez por mil.
quero mudar a música da poesia,
escrever do avesso
te reinventar, te sugar
te livrando dos medos,
sendo teu porto-alegre
quero te desfazer e te rever menino
de cabelos lisos da cor do sol
quero te ver ontem e mais hoje
amanhã te encontrar para tomar um porto
mergulho. nado pelo golfo do méxico
passadas largas, pensamentos vadios
A água me empurra e o sol queima minhas costas
Sim estou descrevendo aquele dia em que
o sabor do sal era tão intenso
que de mim vertiam gotas de sangue e
meus lábios murmuravam as letras de teu nome
teu nome: sim por um momento
eu rodopiei pela casa cantando
uma música flamenca - atando nós entre nós dois,
te acorrentando a mim - te adicionando a minha pele,
e aos meus poros.
Ouço o barulho das águas e dos ventos
comungo com a natureza, a minha e a tua.
Olhar para aquela água é como ver teus olhos
banhados de luz e imensidão
perco o controle, misturo poemas, esqueço o frio
já não sei o que digo
e em que ano te conheci
Me deito à espera de gotas de chuva
Sorrio à espreita de um novo som,
de uma palavra amiga
Carrego comigo incertezas e devaneios
represo um carrilhão de sentimentos
neste corpo tão pequeno.
Lembro do primeiro poema, da porta fechada
O vazio
Lembro do céu escuro e profundo
como o castanho daqueles olhos estranhos
me olho no espelho, não me reconheço.
Sim estou usando o velho cliché
Arrepios, um frio descomunal
As mãos na neve...
Tombo na neve fofa e branca
sem marcas
Os olhos aguardam a chuva,
mas o que vejo são pequenas
lantejoulas refletindo raios de sol
perto do rio mortificado de frio

Soy peregrina
Piedra y camino
Atahualpa Yupanqui)
Del cerro vengo bajando
Camino y piedra
Traigo enredada en el alma, viday
Una tristeza.
Me acusas de no quererte
No digas eso
Tal vez no comprendas nunca, viday
Porque me alejo.
Es mi destino
Piedra y camino
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino.
Por más que la dicha busco,
Vivo penando
Y cuando debo quedarme, viday
Me voy andando.
A veces soy como el río
Llego cantando
Y sin que nadie lo sepa, viday
Me voy llorando.
Es mi destino,
Piedra y camino
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino.