A Marítima

Sexta-feira, Setembro 30, 2005

 

 
Eubiótica

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

 
All About My Mother

"They call me La Agrado, because I have always tried to make everyone's life more pleasant. I used to work the streets, on bridges, near the cemetery. Aside from being pleasant I am also very authentic: almond shaped eyes, 80 thousand; silicone in lips, forehead, cheeks, hips and ass, the liter costs sixty thousand pesetas...you add it up because I stopped counting. Tits? Two, I’m no monster. Seventy each, but these have been fully depreciated. It cost me a lot to be authentic, but we must not be cheap in regards to the way we look. Because a woman is more authentic the more she looks like what she has dreamed for herself.--Agrado (Antonia San Juan)

 



 

 


Tinha sobre si o peso
de quem não sabe

Mas quando
Soube

foi e voltou
tantas vezes
que se descobriu asas

Soube talvez tarde,
mas soube

 

Se soube tatuagem
no braço gordo e flácido

Se soube etérea e instável
Se soube dona de si mesma

Se soube piano dedilhando

mão no ar

O beijo que não houve
Desde então

Terça-feira, Setembro 27, 2005

 
Niña Pastori y Jorge Drexler: Colcha de Versos


CÁI: DELA

Cái se bebe el sol
Cái es la brisa marinera
Y que remienda tu corazón
Con la sonrisa más morena

Cái, cuando tú no estás
De qué me vale amar el mar, mi cái
Cái, cuando anochece
Que tú te duermes, que yo te miro
Y a ti te pierde, ay cái

Cuándo podré regresá a encerrarme
Contigo en un patio
Dejar que el viento entre las macetas
Silbe por tangos
Por fin veré a mi gente
Por fin me veré
Cái del mentidero
Muero por él, yo quiero volver

Niña Pastori


HORAS: DELE

No queríamos dormir
nos queríamos comer el mundo
No podíamos dejar de estar a solas ni un segundo
Ida y vuelta de la cama
a la alfombra voladora
nos bastaba con dejar pasar
dejar pasar las horas

Horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

Recorriendo aquel edén
de sólo dos metros cuadrados
¿Que será de aquel colchón, de aquel colchón tan maltratado?
Allá íbamos tu y yo
llevados por el remolino
nos dejábamos caer, caer,
caer hacia el destino
Durante horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

No queríamos dormir
nos queríamos comer a besos
No queríamos dejar de cometer ni un solo exceso
Nos venía a saludar en el balcón la luna llena
Nos bastaba con dejar morir
dejar morir la pena

Horas, horas,
colgados como dos computadoras
Horas, horas,
meta echar carbón en la locomotora

Jorge Drexler

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

 
Quero escrever poemas para voz como João Cabral.
Quero te ler meus versos como quem sussurra
em teu ouvido palavras obscenas e recados de amor.

Quero exercer a minha religião que é viver
sob os auspícios de teus beijos

que me marcam os lábios e me sugam a alma
quero entrar em ti como se eu pudesse atravessar uma porta
desenhada, moldada, enroscada em ti

Quero a voz e o querer inteiro, intenso
AZUL VERMELHO TELHA
Vinho na língua e no corpo

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

 
Ophelinha:



Agradeço a sua carta. Ella trouxe-me pena e allivio ao mesmo tempo. Pena, porque estas cousas fazem sempre pena; allivio, porque, na verdade, a unica solução é essa - o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amisade inalteravel. Não me nega a Ophelinha outro tanto, não é verdade?

Nem a Ophelinha, nem eu, temos culpa nisto. Só o Destino terá culpa, se o Destino fosse gente, a quem culpas se attribuissem.

O Tempo, que envelhece as faces e os cabellos, envelhece tambem, mas mais depressa ainda, as affeições violentas. A maioria da gente, porque é estupida, consegue não dar por isso, e julga que ainda ama porque contrahiu o habito de se sentir a amar. Se assim não fosse, naão havia gente feliz no mundo. As creaturas superiores, porém, são privadas da possibilidade d'essa illusão, porque nem podem crer que o amor dure, nem, quando o sentem acabado, se enganam tomando por elle a estima, ou a gratidão, que elle deixou.

Estas cousas fazem soffrer, mas o soffrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão de passar o amor e a dor, e todas as mais cousas, que não são mais que partes da vida?

Na sua carta é injusta para commigo, mas comprehendo e desculpo; decerto a escreveu com irritação, talvez mesmo com magua, mas a maioria da gente - homens ou mulheres - escreveria, no seu caso, num tom ainda mais acerbo, e em termos ainda mais injustos. Mas a Ophelinha tem um feitio optimo, e mesmo a sua irritação não consegue ter maldade. Quando casar, se não tiver a felicidade que merece, por certo que não será sua a culpa.

Quanto a mim...

O amor passou. Mas conservo-lhe uma affeição inalteravel, e não esquecerei nunca - nunca, creia - nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequeneina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua indole amoravel. Pode ser que me engane, e que estas qualidades, que lhe attribúo, fossem uma illusão minha; mas nem creio que fossem, nem, a terem sido, seria desprimor para mim que lh'as attribuisse.

Não sei o que quer que lhe devolva - cartas ou que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memoria viva de uma passado morto, como todos os passados; como alguma cousa de commovedor numa vida, como a minha, em que o progresso nos annos é par do progresso na infelicidade e na desillusão.

Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infancia, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras affeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memoria profunda do seu amor antigo e inutil

Que isto de "outras affeições" e de "outros caminhos" é consigo, Ophelinha, e não commigo. O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existencia a Ophelinha nem sabe, e está subordinado cada vez mais á obediência a Mestres que não permittem nem perdoam.

Não é necessario que comprehenda isto. Basta que me conserve com carinho na sua lembrança, como eu, inalteravelmente, a conservarei na minha.



Fernando Pessoa

Terça-feira, Setembro 13, 2005

 
Me dei conta que não conheço tua letra. Não vi teu jeito íntimo de falar, escrever, registrar. Esse tanto de ti qe não conheço e que me faz querer saber mais. Me dei conta que quero viver tudo que há. Em contrapartida, não quero saber de viver aos cadinhos... Disso eu não quero saber, aprender, provar, ou descobrir. Quero sim ensinar-te a viver tudo que há. Tudo de mim, imenso, oceano, pertos, claro, puro. Quero que me sorvas e me lambas toda, inclusive pelo revés do tempo e revés do minuano. Quero um saborear voraz e apreciativo de cada pequeno gole. Quero que sintas a doçura do meu vinho licoroso. Vinho que embriaga por ser doce e que deixa na língua um torpor dormente que apetece e convida a entrega. Quero que jantemos de nós dois um banquete: entrega total.

 
Tópico Frasal

Se me desses um tópico eu faria um poema com os anos de ausência e saudade. Eu escreveria um milagre em cada verso e transcreveria solidão. Se me desses um tópico eu te daria a mão e te roubaria um beijo no escuro. Envolveria tuas mãos pequenas nas minhas costas e sentiria teu calor ou teu frio de estar só. Eu te ofereceria meus seios pequenos como morada e tua boca lamberia meus mamilos até que deles brotassem rosas macias e perfumadas com teu cheiro cheio e presente. Se me desses um tópico, eu te faria capitão de meu barquinho frágil e forte, de meus sonhos quentes e ardidos com lembranças de teus beijos. Se me desses um assunto eu escreveria um romance-petardo-declaração, cujo título faria de mim uma autora de vanguarda, embora eu apenas falasse de um sentimento de querer mal resolvido. Eu queria um tópico para fazer amor contigo e me entregar a esse romance atrasado, arredio. Eu queria um tópico para manter vivo esse vínculo débil que nos mantém presentes. Eu queria um tópico para te reter em meu sexo assim como te tenho em minha alma. Desse assunto nosso eu teceria um pouco de nós no instante do agora. Perpetuaria teu gosto dentro de mim e também os sons e múrmurios que tu não consegues represar quando me tocas. Eu queria uma foto de teus olhos me agredindo e tua mão me segurando longe, eu queria que estivesse gravada em mim a textura dos teus dentes lindos que me mordem no lugar certo. Eu só queria.

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

 
E o relógio teima em ficar parado.

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

 






A voz que escuto agora é a de um bandoneon que fala sobre solidão
A voz da magia da música
Años de Soledad
Años de Ausência

Não te importes se não estou perto
Sonhar é tão bom

Imaginar-te ao som dessa música
carrega uma magia inquebrantável

É tão forte, tão sedutor
É sentido profundamente
tem vida própria

não te cales,
não sumas
Sonha comigo,
recosta tua cabeça
no meu peito

e te entrega
não te escondas

A voz se cala de repente
e ressurge ainda
mais dolorida
e cheia de encantos

Fecho meus olhos e penso
em momentos inesquecíveis
como o de um abraço furtivo

Um beijo de adeus
Um sonho inacabado
Uma carícia clandestina

Não consigo parar de sonhar
flauta e piano:
o sopro e a corda

O sopro de vida que me deste
---
Reacendeste a esperança

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